Notícias

15/05/2019 08:22


Engenheiro ambiental e sanitarista destaca ações para combate à Dengue de forma duradoura

     Os recentes informativos emitidos pela Secretaria de Saúde do RS colocam o estado em alerta contra o Aedes aegypti, mosquito transmissor do vírus da Dengue, Zika e Chikungunya. Desde o início do ano, foram confirmados 388 casos de Dengue, dos quais 323 autóctones - quando a pessoa contrai a doença no lugar onde reside. Desses, 58 ocorreram na macrorregião missioneira que abrange Santo Ângelo, Cruz Alta, Santa Rosa e Ijuí, dentre outros municípios. Especificamente em Santo Ângelo, foram confirmados 22 casos de Dengue, 19 contraídos na cidade.
     Ao passo que o número de casos aumenta, intensificam-se também as campanhas para exterminar o vetor, evitar seu aparecimento e reprodução. É amplamente divulgado que o acúmulo de água de forma inadequada oferece situação para a reprodução do mosquito - depósitos naturais e artificiais devem ser evitados e constantemente fiscalizados. No entanto, mais do que campanhas - pontuais ou sistemáticas, a luta contra o A. aegypti  é uma questão de saúde pública que vai além.
     O próprio Ministério da Saúde indica atuação em vários setores, por meio do fomento à destinação adequada de resíduos sólidos e a utilização de recursos seguros para armazenagem de água. A Engenharia Ambiental e Sanitária tem grande potencial para contribuir com esse desafio, como observa o engenheiro ambiental e sanitarista, coordenador do curso de graduação da Faculdade Santo Ângelo (FASA), Me. Jacson Rodrigues França.
     “Projetos de engenharia que envolvem drenagem urbana, esgotamento sanitário e gestão dos resíduos sólidos têm muito a ver com a proliferação da dengue. Muitas vezes, o mosquito pode se reproduzir em espaços que acumulam água por um mau planejamento ou má gestão de algum desses três fatores”, explica o profissional.
     OS CRIADOUROS E A GESTÃO DE RESÍDUOS
     
Pesquisas realizadas em campo pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) indicam que os grandes reservatórios, como caixas d’água, galões e tonéis são os criadouros que mais produzemA. aegypti e, portanto, os mais perigosos. Além disso, a instituição alerta sobre os pequenos reservatórios, tais como vasos de plantas, calhas entupidas, bandejas de ar-condicionado, poço de elevador, entre outros. No entanto, além de cada cidadão cumprir com sua responsabilidade, limpando e fazendo a manutenção desses locais, soluções de médio e longo prazo são necessárias. A palavra central para isso é planejamento, como destaca França.
    “No planejamento da drenagem urbana ou do esgotamento sanitário, ter um planejamento para o controle prévio desse vetor. Oferecer condições para que aconteça a pulverização de maneira adequada, com entradas facilitadas para que quem faz o trabalho consiga entrar na drenagem urbana e no sistema de esgotamento sanitário são algumas das medidas que contribuem de forma duradoura. Isso também reduz custos e otimiza investimentos públicos na prevenção e combate ao mosquito”, comenta o engenheiro.
    Os resíduos sólidos também são uma ameaça. A Fiocruz cita garrafas e lixo a céu aberto como exemplos, pode-se acrescentar na lista depósitos irregulares de pneus e inúmeros outros materiais com descarte incorreto. “O problema com os resíduos sólidos urbanos começa no momento em que a gente deixa acumular, nos terrenos baldios, nos prédios abandonados... É questão de gerenciamento dos resíduos para que isso não venha a ser um passivo ambiental, um fator de acúmulo de água que venha possibilitar a procriação do mosquito”, diz França, enfatizando que a aplicação da legislação, com um responsável técnico para tanto, é fundamental.
    “Por exemplo, a Política Nacional de Resíduos Sólidos prevê que vários dos resíduos têm que ter uma logística reversa, todo um sistema de devolução para a cadeia produtiva daquele resíduo que foi gerado. É o caso das pilhas, baterias, pneus, lâmpadas… E sabemos que isso nem sempre está acontecendo. É uma questão de planejamento que as empresas estejam adequadas a um sistema de recolhimento e destinação ambiental adequado”.
    Seja uma empresa ou pessoa física, todo resíduo sólido precisa ter destinação correta e tratamento adequado - ação que em médio prazo diminuiria amplamente o número de possíveis criadouros do mosquito da Dengue. “Se esse sistema não estiver funcionando corretamente, para aterro sanitário e os lixos dispostos de maneira inadequada, obviamente, a proliferação de mosquito é facilitada, dentre outros fatores que podem gerar doenças para o ser humano”, complementa o professor.
    UM PROFISSIONAL PARA PLANEJAR, GERENCIAR E PREVENIR
   Tendo em vista as exigência legais e questões da estrutura urbana que impactam diretamente a saúde pública, o engenheiro ambiental e sanitarista é um profissional com grande responsabilidade social e excelentes perspectivas de inserção no mercado de trabalho a partir dessa demanda.
   “Na graduação, a nossa matriz curricular já prevê toda a elaboração deste tipo de plano e a execução. Todas as disciplinas são voltadas para essa parte prática. A nossa profissão foca justamente em garantir, desde o planejamento até a execução, que esses projetos sejam completos e bem sucedidos”, comenta França, detalhando a ação do engenheiro ambiental e sanitarista no contexto que envolve saúde pública.
    De acordo com o professor, as formas de atuação são diversas.  O profissional pode ser o agente de fiscalização em um órgão ambiental, pode trabalhar no gerenciamento dos resíduos dentro de um aterro sanitário, ou, em consultoria, elaborar os planos.
    “Ele pode ser o agente transformador da sociedade em vários momentos. É necessário que se tenha um sistema de gestão e engenharia que consiga executar esses planos e fazer com que as metas sejam cumpridas. Os planos devem ser atualizados, planos e sistemas precisam ser trabalhados sempre. Não podem ser elaborados e esquecidos dentro de alguma gaveta até que ocorra outro ciclo de proliferação de doenças, como no caso da Dengue”, finaliza o engenheiro ambiental e sanitarista.
CRÉDITOS DAS FOTOS:  Ana Júlia Tiellet/Assessoria FASA

EM DESTAQUE

Tenda da Terra

Artesanato Indígena, Artigos Gaúchos, Quadors, Esculturas, Pintura em Tela, Camisetas, livros, Porcelanas, Cestarias e Lembranças da região.

Saiba mais

Sindilojas

São Pedro Butiá

Mais notícias

  • Aguarde, buscando...