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06/06/2019 08:43


Engenharias FASA: é possível construir para a vida e com a vida?

     Palestra sobre permacultura e bioconstrução marca Dia Mundial do Meio Ambiente na Faculdade
    
“Não temos como pensar em bioconstrução sem pensar que o nosso planeta está acabando”, assim, de maneira enfática e sem rodeios, iniciou-se a palestra em alusão ao Dia Mundial do Meio Ambiente, na Faculdade Santo Ângelo (FASA), nesta terça-feira (04), proferida pelo bioconstrutor e permacultor Clairton da Silva.
    A atividade foi promovida pelos cursos de Engenharia Civil e de Engenharia Ambiental e Sanitária e contou também com a participação de empresários, docentes de outras instituições e público em geral, além da comunidade acadêmica da FASA.
    Falar na preservação do meio ambiente e, por consequência, da vida no planeta em boas condições, por vezes pode parecer algo distante. No entanto, segundo Silva, a situação do planeta deveria preocupar a todos. A quantidade de matérias-primas extraídas da Terra passou de 22 bilhões de toneladas em 1970 para 70 bilhões de toneladas em 2010, segundo relatório apoiado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Se a tendência se mantiver, em 2050 o planeta precisará de 180 bilhões de toneladas de matérias-primas anualmente.
      O que é Permacultura?
     Ao ter a consciência da situação do planeta, adquire-se também a consciência de que é necessário mudar a forma de  conceber o mundo, a ação do homem sobre o mundo e, por extensão, a maneira como os homens agem no mundo. A construção é uma dessas maneiras. Assim, surgem opções ao pensamento tradicional, como a permacultura. Criado pelo cientista naturalista Bill Mollison, na década de 1970, o termo “Permacultura” expressa uma ciência que se baseia em princípios de design para planejar ambientes humanos sustentáveis.
     “Desde uma  pequena escala, que seria uma casa ou um condomínio... até uma cidade. Ela pode planejar qualquer tipo de ambiente humano dentro de princípios  ecológicos sustentáveis. Esse é o grande princípio da permacultura. É como eu uso as ferramentas da sustentabilidade através de um desenho, um planejamento que integra as diversas questões”, explica Silva, que também é coordenador e professor na Universidade Livre de Permacultura (UniPermacultura), situada no município de Alpestre-RS.
    A partir dessa visão integrada da Permacultura, derivam a Economia Solidária, novas propostas de governança, tecnologias sociais diferenciadas e, também, a bioconstrução.
    Construção sustentável X bioconstrução
    De acordo com Silva, é importante  diferenciar os conceitos de construção sustentável e de bioconstrução. A primeira, leva todos os aspectos em consideração - impacto direto no meio ambiente, geração de resíduos, utilização de energias renováveis, alternativas para conforto térmico e otimização do uso da água, por exemplo. Porém, a bioconstrução vai além por levar em consideração algo fundamental: a vida, seja ela humana ou de qualquer outro ser.
    “Quando eu emprego a bioconstrução numa obra, eu penso na família que vai aportar nessa obra, o design e o layout precisam responder a questões que não são só de design. Um engenheiro ou um arquiteto, para poder trabalhar com bioconstrução, vai ter que considerar as questões sociais, ambientais, as questões temporais, de recursos”, comenta Silva.
    De forma objetiva, a bioconstrução implica diretamente no domínio de técnicas alternativas às tradicionais para a construção, pois elas devem ser escolhidas de acordo com cada caso, em uma análise sistêmica. Silva pontuou alguns diferenciais na prática dos profissionais que aderem à essa percepção.
   “Um diferencial de pensar a construção nesta perspectiva é a análise da pegada. A bioconstrução, na prática, vai fazer com que o profissional procure, sempre, quando for executar uma obra, atentar quais são os recursos naturais mais disponíveis naquele local, os mais próximos e com mais abundância. Ele vai levar em consideração as pegadas verdes dos materiais que ele está contratando, qual o rastro que esses materiais estão deixando no meio ambiente e quais os impactos que ele causa”.
    A pegada da areia, por exemplo, pode colocar em cheque se este seria o melhor material para determinada obra ou se haveria um substituto melhor, como a terra, por exemplo. A análise considera toda a cadeia produtiva do elemento, neste caso, desde o local de onde é extraída, a forma como é extraída e transportada, as condições de trabalho das pessoas envolvidas em todo esse processo, a geração de riqueza e para quem vai essa riqueza, o fomento social que a produção do material causa, o gasto energético para o transporte e armazenamento. Da mesma forma, os próprios materiais reciclados também devem ter sua pegada analisada, afinal, optar por um item que é produzido a partir de garrafas PET, como é o caso de telhas, mas que está há 800 km do local da obra, talvez não seja a opção mais sensata.
    “A bioconstrução se aplica tecnicamente quando você se apropria do conhecimento, quando você sabe o que é bioconstrução, qual a ética que move a bioconstrução. Assim, se pode fazer propostas de design, técnicas e execução que correspondam aos preceitos”, finaliza o construtor e permacultor.
    Sobre o palestrante
    Clairton da Silva presta consultoria para diversos escritórios de arquitetura do Brasil, desenvolvendo projetos de bioconstrução e de permacultura. Seu nome já figurou em importantes listas e premiações, como reconhecimento pelo trabalho e projetos desenvolvidos, dentre os quais: os 50 jovens mais inspiradores do Brasil (Revista VEJA e Fundação Estudar); apresentação de painel sobre cidades do futuro na  Rio+20; “100 Melhores Ideias para Sustentabilidade no Mundo” (prêmio concedido pela Siemens); prêmio “Cidades Inteligentes” (EDP Portugal, terceira maior subsidiária de energia no mundo; e; Pensadores Urbanos (reunião realizada pela ONU).
    SUGESTÃO DE LEGENDAS PARA AS FOTOS ANEXADAS: 
    1 - Palestra teve participação de acadêmicos, educadores, profissionais liberais e empresários
    2 - Clairton Silva é permacultor, bioconstrutor e docente na UniPermacultura
CRÉDITOS DAS FOTOS: Thayan Lisboa/Assessoria FASA 

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