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25/11/2016 12:29


O Cotidiano da Vila

          1 - Retornando de São Luiz
No lombo do meu Picaço
Chego à barca do Rocácio
Faço o translado e daqui
Deste Rio Piratini
Sigo ao trote, na estrada,
Nesta terra colorada
Dos ancestrais guaranis.
          2 - Passo o campo do Lagoão
Ainda de manhãzinha
E vejo que se avizinha
A Vila dos Cata-Ventos
E vou sorvendo o contento
De voltar ao vilarejo
E, emocionado, me vejo
No prazer deste momento.
          3 - O seu João Bitencourt
Médium da causa divina,
Avisto, de relancina,
Parece, dando Sessão
E mais adiante a visão
Me mostra, assim, (sem entrave),
O seu Manoel Guarda-Chave
Na cancha de bocha, então.
          4 - Avisto o Mangueirão
Repleto de gadaria,
Alaridos, correrias,
Tropeiros que vão e vem
Apartando, muito bem,
As tropas pra Livramento
Em mais um carregamento
Nos vagões de mais um trem.
          5 - Noutro comboio espichado,
Fumaceando, de dar graça,
Vem a Maria-Fumaça
No rumo da Estação,
Pois nesta ocasião
O trem é o passageiro
Cumprindo o seu roteiro,
Serpenteando neste chão.
          6 - Passo os trilhos (na esquerda)
Duzentos metros daqui
Enxergo, em seguida, ali,
O seu Joaquim no moinho
E escuto neste caminho
A bigorna cantadeira
E Cassemiro, sem canseira,
Num arado dando fio.
          7 - Dou meia volta no pingo,
Sem judiaria ou laçaço,
Pra o Bolicho do Acácio,
Goludícias, vou comprar
E antes de apear
Um galo, bem topetudo,
Solta um canto macanudo
No terreiro do Gaspar.
          8 - Cá de dentro do bolicho
Eu consigo contemplar
Ciríaco a conversar
Num jeitão de entrevero
Enquanto passa ligeiro
Uma figura lendária
Desta terra legendária
O seu Jandirão Medeiros.
          9 – Eu almoço e sesteio
Na casa da tia Paulina
Depois eu vejo, da esquina,
O campinho ali da praça
E um futebol, que se engraça,
No talento (e no ofício),
Do seu João Pedro Fabrício
Fazer gol com arte e graça.
          10 - No outro lado da rua
Vejo Augusto Sarandi
E a Barbearia do Cici
Está repleta de gente
Esperando, paciente,
Para cortar o cabelo
Se traquejando, com zelo,
Pra ficar mais atraente.
          11 - À noite vai ter um baile,
O comentário é geral,
Vai ser no Café Central
E tudo está preparado
O salão já está enfeitado
Irmãos Borges vão tocar
E vai dar gosto dançar
Xote bem afigurado.
          12 - Dobro a esquina e vou adiante
E eu toque-toque se nota
É o Hilo fazendo botas
Lindaças de encantar
E, à noite, vou repousar
Num lugar tradicional
E descansar, afinal,
Na Pensão do seu Goulart.
          13 - E além do meio da tarde
Enquanto o sol já se empina
Lá pras bandas da Argentina,
Vejo suado e com esmero
E prosseguindo ligeiro
Ao rodopiar dos raios
A carroça, com dois baios,
Do seu Nely, carroceiro.
          14 – E agora, de repente,
Vejo a figura altaneira
De seu Ney Duarte Vieira:
Ser humano solidário
E, adiante, noutro cenário,
Me causando alegria
Vejo o seu Rebardaria
Com alguém, num comentário.
          15 – Então ouço, reticente,
Um som gostoso e baixinho
Da gaita do Agostinho
Ecoando num vaneirão
Nesta mesma ocasião
Enquanto eu vislumbrava
Seu Quintino, que passava,
Na gaiotinha do pão.
          16 – E um pouco mais à frente,
Num vistaço interessante,
Enxergo ali adiante
O seu Bijica, cordial,
Sentado, lendo um jornal
E vejo, assim, de primeira,
Disposto, o doutor Madeira
Indo para o hospital.
          17 - Eis que enxergo, desta vez,
Da sanga, lá da ladeira,
A Mercedes, lavadeira,
Com muitas roupas lavadas
E, ao longe, na estrada,
Vejo seu Alfredo Aquino
Seguindo, com um menino,
Creio, lá pra sua venda.
          18 - Que cotidiano marcante
E agora a força do vento
Nas pás destes cata-ventos
Vai sibilando poesia
Junto à suave melodia
Do canto da passarada
Nesta vilinha abençoada
De aconchego e simpatia.
          19 – Posso branquear o cabelo
Neste reponte dos anos,
Mas me sinto soberano
E um prazer me conforta,
As portas me estão abertas
Viva este chão que bendigo
E este meu rol de amigos
E é isto que me conforta!
          20 – Sou missioneiro feliz !
Nascido nestas paragens
Carregando estas imagens
Na mente e no coração
Por entender a razão
Que o bom senso me norteia:
De gostar de terra alheia,
Mas muito mais do meu chão 
Letra: João Antunes e Afrânio Marchi
•    João Antunes é poeta e compositor, de Bossoroca. 
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