Políticas públicas fomentam forrageiras que reforçam alimentação do rebanho leiteiro
A ampliação do uso de forrageiras de inverno e de verão no Noroeste do Rio Grande do Sul tem sido estratégica para a alimentação do rebanho leiteiro em períodos de instabilidade climática. Reconhecendo a vocação e a importância da cadeia produtiva do leite na região de Santa Rosa, onde a maior parte dos sistemas é à base de pasto, ações têm sido efetivadas por meio da execução de políticas públicas de Estado, realização de eventos e orientações técnicos junto a propriedades.
Além de reforçar a alimentação, o manejo com forrageiras de inverno aumenta a eficiência do uso da terra, possibilitando até três ou quatro ciclos de produção ao ano e libera áreas para cultivos de verão com maior retorno econômico. Com apoio técnico adequado, dias de campo, palestras e análise bromatológica, os produtores conseguem identificar as melhores cultivares e ajustar a estratégia produtiva conforme o objetivo, seja a produção de leite ou de carne.
As políticas públicas podem fortalecer a cadeia produtiva do leite, importante para a Fronteira Noroeste e Missões, que compõem a maior bacia leiteira do Estado, com mais de 4 mil produtores que ainda vendem às industrias uma produção anual superior a 550 milhões de litros de leite oriundos de mais de 150 mil vacas. "Esses produtores movimentam importante fonte de recursos do meio rural na região, com mais de R$ 1,5 bilhão movimentados durante o ano", destaca o assistente técnico regional da Emater/RS-Ascar Jorge João Lunardi.
Em 2026, a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Rural (SDR), em parceria com a Emater/RS-Ascar, Embrapa, Sindicatos dos Trabalhadores Rurais (STR), prefeituras e associações, intensificou o Programa de Sementes e Mudas Forrageiras, promovendo a distribuição de sementes e orientações técnicas para milhares de produtores gaúchos.
O programa, que fomenta e facilita a aquisição de sementes e mudas de espécies forrageiras, anuais e perenes, oferece apoio direto aos produtores por meio de bônus de adimplência de 50%, além de apoio financeiro de até R$ 2 mil por CPF de produtor e até R$ 400 mil por entidade. O programa também conta com qualificação técnica por meio da Assistência Técnica e Extensão Rural e Social (Aters) da Emater/RS-Ascar e suporte técnico da Embrapa, que dispõe de orientações sobre o manejo adequado das forrageiras.
Na região de Santa Rosa, 6.115 agricultores de 30 municípios foram beneficiados, com intermédio de sindicatos e associações. "Também houve na região o financiamento bancário através do Bônus Mais Leite da SDR para 135 produtores, no valor de R$ 12,41 milhões, sendo R$ 2,47 milhões subsidiados, tanto para investimento e custeio, usados também para implantar e manejar pastagens de verão e de inverno", lembra Lunardi, ao salientar a importância das políticas públicas.
Nesse contexto, desde abril deste ano, extensionistas dos 45 escritórios municipais da Emater/RS-Ascar da região prestam assistência técnica direta às propriedades em relação à implantação das pastagens, assim como realizam dias de campo e capacitações para introduzir forrageiras melhoradas de outono/inverno, além das tradicionais aveias e azevém. "Para isso estão sendo fortalecidas culturas como triticale, cevada, trigo e centeio, empregadas tanto em pastejo rotacionado e rotatinuo, quanto na produção de reservas, como silagem e fenos, entre outros", destaca Lunardi.
Possibilidades de melhoria da oferta de alimentos aos animais neste período de maior escassez também foram apresentadas na Fenasoja 2026, numa parceria Emater/RS-Ascar, Embrapa e SDR. Por meio de 14 vitrines de forrageiras de inverno, mais de 1.600 agricultores de 45 municípios da região conheceram forrageiras com alto grau de palatabilidade, energia, proteína e minerais, a exemplo das cevadas BRS Korbel e BRS Entressafras, os trigos BRS Tarumaxi, BRS Pastoreio e BRS Reponte, assim como o Super Massa ADR 500. Além disso foram apresentadas propostas de forrageiras perenes e de verão, a exemplo de tifton, jiggs, hemártria, BRS Kurumi, BRS Capiaçu e outras.
Outra forma de validação de informações para decisões mais assertivas tem sido a implantação de Unidades de Referência Tecnológica (URTs) em propriedades da região. Os resultados obtidos junto a essas propriedades, que representam contextos típicos regionais, são multiplicados em dias de campo.
Lunardi destaca que no trabalho de extensão rural e social, as orientações técnicas se baseiam em observações de campo e análises laboratoriais bromatológicas destas forrageiras.
Os extensionistas rurais seguem à disposição para ampliar a adoção dessas práticas. Produtores interessados podem procurar o escritório municipal da Emater/RS-Ascar mais próximo para informações sobre cultivares recomendadas, análises bromatológicas e manejo de pastagem e reservas.

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