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Quem entalhou as imagens da Catedral de Santo Ângelo?



    O artista austríaco procurou no anonimato da humildade e da pobreza a paz de espírito que os outros homens lhe roubaram.
    Valentim Petrus Emmerich Stephan Von Adamovich escultor em pedra Grês na Região das Missões, Rio Grande do Sul, é o autor das obras que ornamentam a igreja símbolo da capital das Missões Santo Ângelo. Valentin Von Adamovich viveu parte de sua vida em Santo Ângelo, foi um imigrante austríaco formado em engenharia civil e belas artes. Veio para o Brasil atrás da obra de Pe. Antônio Sepp, que era seu conterrâneo, no entanto, só encontrou os restos da cultura missioneira iniciada por este gênio das Missões. Influenciado se apaixona pelas missões e sua história. Conforme informações pertencentes ao Museu Municipal Dr. Olavo Machado, Adamovich era filho de um governador de Tirol, região das Austria, quando veio para o Brasil se instalou em Cerro Largo e lá conheceu Dona Clarinda Lunkes, com quem viveu até o fim de sua vida.
    Mais imagens da obra e tumulo de Von Adamovich escultor em pedra Grês.
    Vídeo documentário Von Adamovich: o gênio esquecido, Vida e Obra.
    O artista e engenheiro foi preso e torturado no final da segunda guerra, quando uma cultura de perseguição aos alemães se instalou em todo o Brasil e inclusive nas missões, os imigrantes desta origem eram acusados de nazistas e foram perseguidos. Quando liberto regressou à sua esposa após poucos messes de prisão e está não o reconheceu devido aos ferimentos e desnutrição.
    Valentin Von Adamovich referência histórica em escultura na Região das Missões, por onde passou deixou a sua arte: Um altar folheado em ouro na igreja de Cerro Largo obra em Mato Queimado, Rincão Vermelho, São Luiz Gonzaga na Igreja Matriz e nas Ruínas de São João Batista (segundo os documentos históricos o  Monumento Pe. Antônio Sepp, na entrada de São João Batista foi à realização de um sonho) e em Santo Ângelo, quando em 1952 veio contratado pelo Padre Paulo Stacovich, para dar acabamento ao pórtico da atual Catedral Angelopolitana. Ele esboçou as sete imagens que representam os padroeiros dos Sete Povos e ornamentam o alto da fachada da Catedral(frontispício).

  • Sobre

  • Faleceu em 29 de abril de 1961, seu túmulo está localizado no cemitério Sagrada Família sem nenhuma ornamentação ou honraria. Embora a igreja e os atuais ocupantes de postos políticos sentenciem um silêncio cultural em relação a estas páginas da história, a obra continuará exposta no alto do maior símbolo dos santo-angelenses a Catedral Angelopolitana. Sendo assim, de tempos em tempos a pergunta voltará: Quem entalhou as imagens da Catedral?
    Vídeo conta o documentário que, em 29 de abril de 1961, falecia em Santo Ângelo o artista austríaco Valentin Von Adamovich, autor, entre tantas obras espalhadas pela Europa e na nossa região, incluindo o frontispício da Catedral Angelopolitana, com suas colunas, capitéis e arcos, bem como as esculturas dos padroeiros dos Sete Povos das Missões. Após quase meio século de sua morte, a sua história é contada e preservada, através da divulgação de sua passagem entre a comunidade regional. Originário de uma cidadezinha da bela região do Tirol, ele escolheu esta terra vermelha para morar, deixar suas obras em pedra grés e viver os últimos anos.
    Quando chegou à nossa região, Adamovich era muito jovem, tendo participado da Primeira Guerra Mundial. Quando eclodiu a Segunda Guerra Mundial, em 1939, vivíamos o Estado Novo de Getúlio Vargas. Para fugir da nova guerra e reencontrar o padre Antonio Sepp, o conterrâneo que idolatrava, Adamovich deixou a sua requintada Áustria e veio parar em São Luiz Gonzaga, onde foi perseguido, preso, espancado e levado para Porto Alegre, acusado de ser nazista. Somente ao se instalar em Santo Ângelo ele daria sequência à sua obra, deixando impresso ali o seu talento na escultura, atuando ainda como arquiteto, engenheiro e pintor.
    O documentário ainda registra que Valentim Von Adamovich teria sua história marcada por uma passagem trágica: machucou-se ao trabalhar a pedra grés, sua matéria-prima. Esse ferimento veio causar-lhe um tumor maligno, atrofiando-lhe um dos braços. Ele retratou essa enfermidade na obra triste e inacabada do índio Sepé Tiaraju, hoje exposta no Museu Municipal de Santo Ângelo, onde se vê a desproporção de um dos braços da escultura, simbolizando a dor e o sofrimento do homem por trás do gênio. Ele amarrava o seu instrumento de trabalho na mão para poder esculpir na pedra, exatamente como fazia o mineiro Aleijadinho, ao ser encurralado pela doença que o mataria.
    Conforme relato de Mário Simon no jornal Tribuna Regional, em 1997, a própria igreja que Adamovich ajudou a adornar negou-lhe a encomendação de seu corpo, pois os padres não reconheciam seu matrimônio com Clarina Lunkes, já que ele havia se separado da primeira esposa quando deixara a Áustria e viera fixar residência na região missioneira. O escritor Manoelito de Ornellas, amigo de Adamovich, lhe prestou uma homenagem no Correio do Povo, em 23 de maio de 1961, dizendo que “o artista tirolês procurou no anonimato da humildade e da pobreza a paz de espírito que os outros homens lhe roubaram”.
    Sendo assim, de tempos em tempos a pergunta voltará: Quem entalhou as imagens da Catedral?

Informações

Quem entalhou as imagens da Catedral de Santo Ângelo?
Outros, RS
Região das Missões
Telefone: (55) 3312-9485

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