Agricultura familiar garante reforço alimentar a 180 famílias em Santo Ângelo
Boas notícias chegam para parte da comunidade de Santo Ângelo. Desde o dia 10 de fevereiro, 180 famílias em situação de vulnerabilidade social e insegurança alimentar passaram a receber complementação na alimentação por meio da retomada do Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar (PAA), na modalidade de doação simultânea.
A iniciativa foi viabilizada por uma emenda parlamentar da deputada federal Maria do Rosário, destinada diretamente à Associação de Produtores Hortigranjeiros e Produtos Coloniais de Santo Ângelo (Aprochosa). Operado por meio da Companhia Nacional de Abastecimento, o projeto prevê investimentos de cerca de R$ 300 mil ao longo de 12 meses.
A execução ocorre em parceria com a Associação de Moradores do Bairro União e Adjacentes, responsável pelo cadastro das famílias e pela distribuição das sacolas de alimentos. Os beneficiários foram selecionados a partir de inscrição no Cadastro Único (CadÚnico) e da comprovação de situação de vulnerabilidade social.
O projeto começou a ser estruturado há aproximadamente um ano e foi efetivado no final de 2025, dentro das políticas do Ministério do Desenvolvimento Agrário, com operacionalização pela Conab. A iniciativa integra o Programa de Aquisição de Alimentos, política pública voltada ao incentivo da produção da agricultura familiar e ao combate à insegurança alimentar.
Atualmente presidida pela agricultora Marli Rohde, a Aprochosa reúne famílias produtoras que atuam na produção de hortigranjeiros e alimentos coloniais. A entidade possui mais de três décadas de atuação na região, envolvendo cerca de 22 famílias que fornecem alimentos frescos e participam de eventos tradicionais, como o Café Colonial Missioneiro, além de feiras sazonais, entre elas a Feira de Natal e a Feira do Peixe.
Segundo Marli Rohde, esta é a primeira vez que a associação opera diretamente o programa via Conab. Para ela, a iniciativa representa um desafio, mas também uma oportunidade de crescimento para os produtores locais. “É fundamental que possamos agregar experiência e renda aos associados. Com esse incentivo, podemos ampliar a produção de alimentos e nos preparar para participar de novos projetos”, destacou.
O projeto conta ainda com o apoio da Pastoral da Criança da Paróquia do Bairro Pippi e de integrantes da Pastoral da Criança da comunidade Sagrada Família. Parte das famílias atendidas foi indicada por essas organizações. Também foram contemplados grupos específicos, como o acampamento indígena da Linha Paraíso e uma comunidade cigana da região.
A articulação política e institucional que possibilitou a iniciativa partiu do professor Corazza, responsável por intermediar o acesso ao recurso junto à deputada Maria do Rosário e por promover o diálogo entre a Aprochosa, a Conab e as entidades responsáveis pela distribuição.
Para o presidente da Associação de Moradores do Bairro União e Adjacentes, Jorge Vargas da Rosa, muitas famílias aguardavam pela execução do projeto há cerca de um ano. “Devido aos mecanismos de burocracia, a concretização ocorreu apenas agora. A grande maioria dos beneficiados realmente necessitava desse reforço na alimentação. O projeto traz mais dignidade e fortalece as famílias, especialmente os jovens, incentivando novas oportunidades, inclusive o retorno aos estudos”, afirmou.
A assessoria técnica e a prestação de contas da iniciativa são conduzidas pelo técnico agrícola Diomar Formenton, ex-secretário municipal de Agricultura, com apoio de Telismar Lemos Jr., responsável pelo acompanhamento da distribuição e fiscalização das entregas.
Além de garantir alimentos a famílias em situação de vulnerabilidade, o programa também fortalece a economia local ao valorizar a produção da agricultura familiar, promovendo a circulação de renda e incentivando a continuidade do trabalho dos agricultores da região missioneira. Cada família receberá durante 12 meses uma sacola básica de alimentos contendo, principalmente, produtos da agricultura familiar, entregue na segunda terça-feira de cada mês. Lembrando que as sacolas contem complementação alimentar, não substitui quaisquer outras da rotina alimentar ou recebidas por outras instituições.

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